Carolina Ferraz

ENTRE QUATRO PAREDES

16 de outubro de 2014

A conversa de três garotas cheias de fúria na praia rende uma reflexão sobre relacionamentos – na fiçcão e na vida real

Relações amorosas são verdadeiros mistérios: cheias de nuanças e detalhes. Mas o que mais me fascina é a reação das pessoas. Outro dia, na praia, acabei escutando a conversa de três garotas, enfurecidas e reclamonas. Digo garotas numa trêmula intenção de me rejuvenescer (risos!), pois, na verdade, eram mulheres entre 30 e 35 anos. Detesto quem sai por aí falando mal do marido (não gosto de homem que faz isso também), mas essas mulheres estavam engraçadas. O ponto alto foi quando uma delas confessou que tinha chegado a um momento insuportável: “Sabe quando você encontra alguém na rua e essa pessoa, para te agradar, diz que conheceu seu marido e o elogia? Eu fiquei puta, com raiva do marido e do conhecido. Pensei: ‘Bacana?! Então leva para casa, casa com ele. Daí você vai ver como o imbecil se comporta no dia a dia. Aliás, você também não vale nada, se cair de quatro fica’”.
Fiquei fascinada escutando o papo. Pensando que daria uma personagem incrível. E, quanto mais ouvia, mais ria internamente. Vejam que situação, caros amigos, a pessoa está tão exausta da vida conjugal que se ofende com o simples fato de alguém não perceber que seu marido não é aquela Brastemp toda. E o melhor eram as amigas botando pilha.
Acabei me divertindo sozinha e me solidarizei com a moça. Vai saber o que acontece entre quatro paredes? Ou talvez quem infernize a vida do casal seja ela mesma. Mas não importa, a maneira de se comportar dessas meninas foi muito engraçada. Acho que só no Brasil temos esse senso de humor perverso e debochado. Quantos personagens de humor não são inspirados na vida real? Quantos humoristas bons temos por aqui? Muitos! É uma tradição nacional, a comédia. E quantas situações maravilhosas não são tiradas de histórias de relação? Ufa, muitas. Agora é torcer para que o casal se entenda…

© Joyce Pascowitch 2013