Rodrigo Penna

Três Pontinhos

26 de julho de 2017

O demasiado humano
A dor é uma coisa que a gente aprende a lidar. O barulho, o dos outros, o de dentro, qualquer pensamento. A saudade, o medo, acordar cedo, dormir pouco, dormir mal, aquele síndico monstro, aquela cadeira quebrada esperando ser levada pro conserto. A sujeira debaixo do tapete, falta de vergonha na cara, a humanidade debaixo da ponte é uma coisa que a gente aprende a lidar. Incomoda, mas a gente aprende. Catástrofes virando paisagem.

O rei está nu
O mundo está nude

Dias atrás o presidente do nosso Congresso disse cheio de orgulho que todas as pautas da casa estão em sintonia com o mercado. Tristeza tamanha esse mundo-ganância. São tempos estranhos… Todo meu amor aos que iluminam um outro caminho. Não o mundo-coisa, mas o ser humano, demasiado humano.

As provas não importam
O cabelo sim

“O pecado original, o velho delito cometido pelo homem, consiste na sua queixa incessante de que ele é vítima de uma injustiça, de que foi contra ele que o pecado original foi cometido.”
(Kafka)

© Joyce Pascowitch 2013